sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Felicidade

Felicidade

Na felicidade do teu amor
nos aromas do teu jardim
jaziam rosas vermelhas
no esplendor da Primavera

No teu pensamento
na escuridão eterna
na perplexidade
dos teus lábios
se sente a pureza
do olhar fixo
da imensidão da tua alma

E... no entanto
a ingénua esperança
de um amor perene
na eternidade dos tempos.

Pedro Valdoy

Eu Sou

Eu Sou

Eu sou 
a sombra que arde
no teu coração
embalado pela tua ternura

Sou nuvem
que passa à tua porta
com a paixão que me atormenta
e tu ficaste indiferente

Pairam
beijos de paixão
que tu finges
não os querer

Andam faunos
nos bosques
a chamar pela minha amada
perdida na neblina do vento

Continuarei 
com a minha solidão
devido à tua ausência
à tua indiferença

A eternidade
deambula pelas ruas
ao som de um Mozart
por mim relembrado

Quando vieres
se vieres
já eu te esqueci
e procurarei uma princesa

Que afagará minha paixão
e tu ficarás perdida no firmamento
como uma estrela sem luz
e então chorarás.

Pedro Valdoy

Sou Barqueiro

Sou Barqueiro

Sou o barqueiro
do amor
deslizo pelas margens
de um lado a outro

Sinto os remos
beijados pelas gaivotas
que dançam sem cessar
com piares suaves

Basta um chamamento
e os namorados
entram sorridentes
talvez desconfiados

Os beijos sucedem-se
a cada remada
e o Sol resplandecente
sorri com malícia

Os golfinhos
brincam à minha volta
e os namorados
continuam cobertos de amor

Chegados ao destino
abraçadinhos vão
e esquecem-se da gorjeta
para alimentar meus sonhos.

Pedro Valdoy

Brisas

Brisas

São brisas de vento
Ao sabor de um amor
Aquecido pelas areias
Do mar irrequieto

São folhas soltas
No alerta ventoso
Por ruas esquecidas
Na serenidade do meu ser

O vento é cruel
No derrube de instituições
Quebradas pela tradição
Em tempos de verão.

São tempestades
Agoirentas e sequiosas
No derrube de árvores
Pelos tempos fora.

Pedro Valdoy

A Borboleta

A Borboleta

A borboleta esvoaçou
alegremente e em liberdade
por entre os campos
com toda a sua vaidade

Era linda
como o meu amor
transportava fragrância
saltitava de flor em flor
e ela ficou maravilhada

Eu fiquei solitário
por entre as flores
eram mantos de crisântemos
que dançavam com o vento

As abelhas andavam excitadas
com beijos de cetim
e eu solitário
sentia o perfume
de um amor que não vinha

Adormeci com pesadelos
esquecidos pelo vento
na melodia dos tempos
sem a tua presença

Quando acordei
senti teu corpo
com um manto de beleza
e a borboleta sorria.

Pedro Valdoy

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Lareira

Lareira

Ao som da lareira
meus pensamentos voavam
por sítios longínquos
levados por uma nuvem

A paisagem saltitava
ao sabor do vento
por entre vales e montanhas
na maravilha da natureza

O voo era sereno
por entre farrapos de neve
numa confusão
coberta de beleza

O rio lá longe
espreguiçava-se
por entre as margens
na indiferença do passado

A águia lá bem no alto
desfrutava daquelas delícias
à procura da sua presa
no alto do sopé

As garras da abundância
cheiravam a paz
e lá em baixo os homens
trabalhavam na lavoura

Uma criança
na sua ingenuidade
acenou com alegria
enquanto chapinhava no rio

Quando despertei
a lareira estava apagada
e um arrepio de frio
estremeceu meu corpo.

Pedro Valdoy

A Flor da Vida

A Flor da Vida

A flor da vida
derrama suas pétalas
no teu regaço
por um amor sereno

A nuvem sonha
As delícias os delírios
na incapacidade do ser
de um véu transparente

O portal do amor
ergue-se na vaga
silenciosa de um desejo
na sensualidade estranha

São bocejos de namorados
através das algas
de um mar suave
a beijar o teu corpo.

Pedro Valdoy